Edição 149 (Maio/Junho 2018) – Editorial

Pátria

Nesta edição, damos a capa ao Presidente da República. Não só por ter vindo à Batalha, não só por ter dito o que disse, mas também pelo que representa como imagem de uma identidade que nos une e a que chamamos Pátria. A tónica do seu discurso foi, precisamente, sobre a construção, a subsistência e o sentido da Nação, cuja maior riqueza – disse – reside no seu povo. Em nós.

Vivemos tempos de mudança, como são, aliás, todos os tempos. Mas talvez nunca tão acelerada, com todos os riscos que isso implica, a começar pelo da leviandade, imponderação e falta de aprofundamento das bases em que se sustenta. Em consequência, quantas vezes se tomam decisões, em nome da “evolução”, que mais tarde se revelam passos atrás em humanidade e futuro.

Assistimos nos últimos anos a debates sobre questões fundamentais, que tocam a própria essência do ser humano, seja na sua determinação biopsicológica, seja na própria concepção da vida e das suas raízes e limites. É aí que se situam as construções ideológicas que fundamentam a nossa opinião sobre temas como a estruturação familiar, a “identidade de género”, o aborto ou a eutanásia.

Que tem isto a ver com “Pátria”? Tudo. Porque este conceito não significa apenas um território ou uma continuidade histórica, mas – sobretudo – uma determinação social, cultural e até espiritual, que lhe dá identidade e coesão. No caso português, uma identidade construída sobre a matriz ideológica judaico-cristã, que determinou historicamente o que construíram os nossos avós e que somos hoje.

Esta reflexão serve apenas o propósito de situar o debate que cada um deverá fazer, sem passar ao lado das perguntas fundamentais: Qual a matriz ideológica, filosófica ou religiosa que assumo? Que noção de “pessoa” e de “vida” ela me apresenta? Fundamento nela, com coerência, a minha opinião? Estou seguro de que ela nos levará, enquanto sociedade, a um futuro mais feliz?

Feito este “exame”, estaremos aptos a dizer que Pátria queremos ser. Olhando em redor com este crivo, poderemos também imaginar que Pátria seremos…

Luís Miguel Ferraz

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