>Economia . 167

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>Por Cristina Agostinho, Docente Ens. Superior
Mensagem de Portugal para… nós próprios

“As armas e os barões assinalados” – CAMÕES, Lusíadas, I, 1
“O que os finlandeses precisam de saber sobre Portugal” foi a mensagem dirigida à Finlândia num vídeo que enaltecia os feitos portugueses ao longo dos séculos. No momento em que a decisão da Finlândia parecia ameaçar o pacote de ajuda externa a Portugal, tempestivamente surgiu tal mensagem, com o objectivo de afastar receios quanto à capacidade nacional de mobilização e inovação.

A mensagem está em língua inglesa, tem pouco mais de 6,5 minutos e “corre” agora pela Internet. Entre os diversos exemplos, é referido que a actual bandeira finlandesa era a bandeira portuguesa há 800 anos; uma das maiores campanhas de recolha de ajuda humanitária em Portugal teve como destinatária a Finlândia (1940) e se a finlandesa Nokia se destacou com os telemóveis, foram os portugueses que inventaram os cartões móveis pré-pagos, entre outras inovações “exportadas” a nível internacional, como é o caso da Via Verde.

Pelo sucesso da mensagem, dá para perceber que alguns casos são novidade para muitos portugueses, quanto mais para finlandeses. De qualquer forma, sabe bem relembrar estes magníficos feitos lusos: faz bem ao ego e até parece que temos uma quota-parte! Pois… mas o que tem esta mensagem no seu reverso? Talvez seja o que todos sabemos mas não gostamos e, por isso mesmo, não queremos ver: é que apesar de tanta proeza e magnificência, o nosso país está à beira da bancarrota e, apesar das capacidades anteriormente demonstradas, o País não tem condições para se refazer económica e socialmente, sozinho.

Haverá duas descendências de portugueses? Por um lado, a linhagem de Afonso Henriques, com feitos e obra reconhecida, dos que partiram para os Descobrimentos e que estão espalhados pelo mundo inteiro, dos que cá trabalham e contribuem para um Portugal mais competitivo. Por outro lado, os portugueses que ficaram a ver os navios passar e o País a afundar…esses, tal e qual o Velho do Restelo!

Repensando e citando Camões, somos portugueses de “armas” ou de “barões”?

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