Santíssima Trindade: Uma festa paroquial multi-secular

Santíssima Trindade: Uma festa paroquial multi-secular

A Santíssima Trindade, no passado dia 31 de maio, foi vivida intensamente na Batalha. É a festa maior da paróquia, juntando todas as comunidades em torno da celebração, marcada pela tradição multi-secular de uma grandiosa procissão de oferendas.
A Missa foi muito participada, com a igreja do Mosteiro repleta de fiéis e uma longa procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas da vila, acompanhada pela Banda Filarmónica Avelarense.
No final da celebração, o cortejo de oferendas tem como principal atractivo as ofertas com bolos em forma de ferradura levadas à cabeça, sobretudo por senhoras, acompanhadas pelo “pão para os pobres”, a distribuir na tarde de domingo.
Participaram este ano 14 andores de várias comunidades da paróquia e 29 ofertas, algumas das quais transportadas por 4 pessoas e não já na forma tradicional de ir à cabeça de uma só. Justifica-se a opção pelo peso exagerado que se transporta e porque o sacrifício associado a estes votos noutros tempos está a ser substituído pelo significado solidário da própria oferta que se faz. Alguns dos oferentes fazem questão de envergar trajos típicos do século XIX, dando um colorido especial ao percurso, uma tradição que vai sendo mantida por alguns elementos do Rancho Folclórico Rosas do Lena.
Um dos momentos com maior tradição é a passagem pelo Carvalho do Outeiro, de onde se mandam pequenos pães ázimos sobre a multidão, avidamente recolhidos por todos. Noutros tempos, serviam para colocar nas arcas e armários da roupa, como protecção contra as traças. Isto porque – reza a lenda – foi neste acto, há muitos séculos, que ficaram ali retidos os insectos que andavam a devorar os celeiros dos frades, praga que motivou o voto de realizarem festejos em honra da Santíssima Trindade. Hoje, além da divertida tentativa de os apanhar e não levar com nenhum na cabeça, os pães “bentos” servirão sobretudo como recordação da festa.
É também tradição o arraial festivo, que este ano decorreu na noite de sábado, com animação por Zé Café e Guida, e na tarde de domingo, com concerto pela Filarmónica, actuação do grupo de música popular “O Penedo”, festival de folclore com os ranchos Rosas do Lena e Casa do Minho em Lisboa, animação pelas Escola de Concertinas do Rosas do Lena. À noite, animou o baile o conjunto Sons do Tempo.
O imperador deste ano foi Vítor Nuno Henriques Santos.

Ver foto-reportagem do evento.

LMF

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